Quando é Necessário Contratar um Perito Avaliador de Imóveis?

Você deve considerar a contratação de um perito avaliador de imóveis quando o valor de uma propriedade puder influenciar uma decisão judicial, patrimonial ou financeira e uma simples estimativa não for suficiente para fundamentar essa decisão.

Em situações como inventário, divórcio, partilha, compra e venda, financiamento, disputas judiciais, dissolução societária e avaliação patrimonial, conhecer o valor do imóvel de maneira tecnicamente fundamentada pode fazer uma diferença significativa.

Mas existe uma dúvida importante:

Quando realmente vale a pena contratar um profissional especializado?

A resposta depende da finalidade da avaliação.


1. O que faz um perito avaliador de imóveis?

O trabalho do avaliador não consiste simplesmente em olhar um imóvel e dizer quanto ele vale.

Uma avaliação profissional pode envolver vistoria, levantamento das características do imóvel, análise da localização, pesquisa de mercado, comparação com imóveis semelhantes e aplicação de metodologia adequada à finalidade do trabalho.

A série ABNT NBR 14653 estabelece referências técnicas para avaliação de bens, incluindo avaliações de imóveis urbanos e rurais, conforme a parte aplicável. A Resolução COFECI nº 1.066/2007 também relaciona a atividade de avaliação mercadológica às normas da ABNT.

Por isso, quanto maior o impacto financeiro da informação, maior a importância de uma avaliação tecnicamente fundamentada.


2. Quando é necessário contratar um perito avaliador?

A contratação se torna especialmente importante quando existe uma diferença relevante entre o valor que alguém acredita que o imóvel vale e o valor que precisa ser tecnicamente demonstrado.

Veja algumas das principais situações.

1. Inventário

Quando uma pessoa falece e deixa imóveis, é necessário determinar o valor dos bens para diversas finalidades relacionadas ao inventário e à partilha.

Uma avaliação profissional pode ajudar a estabelecer uma referência técnica para o patrimônio imobiliário envolvido.

Isso pode ser particularmente importante quando existem vários herdeiros ou quando há divergência sobre o valor dos imóveis.


2. Divórcio e partilha de bens

Quando um imóvel precisa ser dividido entre os ex-cônjuges, conhecer seu valor é fundamental para discutir uma partilha equilibrada.

Imagine um casal que possui um apartamento e uma casa.

Se uma das partes atribui R$ 500 mil ao apartamento e a outra afirma que ele vale R$ 750 mil, existe uma diferença de R$ 250 mil.

Nesse cenário, uma avaliação técnica pode fornecer uma referência mais objetiva para a negociação ou para a discussão processual.


3. Processo judicial

Quando o valor do imóvel é um ponto relevante de um processo e a questão depende de conhecimento técnico, a perícia pode ser necessária.

O Código de Processo Civil estabelece que a prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. O CPC também determina que o juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico.

O art. 465 prevê ainda que o juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e que as partes podem indicar assistentes técnicos e apresentar quesitos.


4. Contestação de um valor apresentado no processo

Se você acredita que o valor atribuído ao imóvel está incorreto, uma análise técnica pode ajudar a identificar os critérios utilizados e apresentar uma avaliação independente, conforme a estratégia processual.

Isso pode ocorrer, por exemplo, quando há divergência em:

  • inventário;
  • divórcio;
  • execução;
  • indenização;
  • dissolução de sociedade;
  • partilha;
  • discussão patrimonial.

O trabalho técnico não substitui a atuação jurídica do advogado, mas pode fornecer elementos para a análise da questão imobiliária.


5. Compra ou venda de imóvel de alto valor

Uma avaliação profissional pode reduzir o risco de negociar um imóvel por um preço significativamente distante de sua realidade de mercado.

Isso é especialmente relevante em imóveis:

  • comerciais;
  • industriais;
  • terrenos;
  • propriedades de grande porte;
  • imóveis com características incomuns;
  • imóveis localizados em regiões com pouca oferta de propriedades semelhantes.

Quanto mais difícil for encontrar comparáveis confiáveis, maior pode ser a importância de uma análise técnica.


6. Dissolução de sociedade

Quando uma empresa possui imóveis em seu patrimônio, a avaliação pode ser importante para determinar o valor patrimonial envolvido na saída de sócios ou na divisão de ativos.

Imagine uma sociedade com três sócios e um imóvel comercial avaliado informalmente em R$ 2 milhões.

Uma diferença de 10% nesse valor representa R$ 200 mil.

Por isso, em situações patrimoniais relevantes, trabalhar com uma referência técnica pode ser muito mais seguro do que utilizar uma estimativa informal.


7. Avaliação patrimonial

Empresas e pessoas também podem precisar conhecer o valor de seus imóveis para tomar decisões patrimoniais.

A avaliação pode auxiliar na análise de:

  • patrimônio imobiliário;
  • venda de ativos;
  • reorganização patrimonial;
  • negociação;
  • planejamento;
  • tomada de decisão financeira.

A finalidade deve ser informada ao profissional antes da realização do trabalho.


3. Perito judicial é a mesma coisa que avaliador de imóveis?

Não necessariamente. Os papéis podem ser diferentes e precisam ser compreendidos antes da contratação.

No processo judicial, o perito judicial é o profissional nomeado pelo juiz para realizar a perícia quando houver necessidade de conhecimento técnico ou científico. O CPC prevê que os peritos sejam profissionais legalmente habilitados e, em regra, estejam inscritos em cadastro mantido pelo tribunal.

Já o assistente técnico é profissional de confiança da parte e acompanha tecnicamente o trabalho pericial. O CPC prevê expressamente essa possibilidade.

Portanto, antes de contratar, é fundamental identificar:

“Preciso de uma avaliação imobiliária, de assistência técnica em uma perícia ou de atuação como perito judicial?”

Essa resposta depende do processo e da finalidade.


4. Qual é a diferença entre avaliação e simples pesquisa de preços?

Pesquisar imóveis anunciados na internet não é a mesma coisa que realizar uma avaliação profissional.

Imagine que você encontre quatro apartamentos anunciados por:

  1. R$ 450 mil;
  2. R$ 480 mil;
  3. R$ 520 mil;
  4. R$ 550 mil.

A média dos anúncios seria de R$ 500 mil.

Mas isso, sozinho, não permite concluir que determinado apartamento vale exatamente R$ 500 mil.

É necessário considerar diferenças de:

  • metragem;
  • andar;
  • vagas;
  • conservação;
  • localização;
  • idade;
  • condomínio;
  • padrão construtivo;
  • características específicas;
  • condições de mercado.

Preço anunciado é uma informação; avaliação é uma análise técnica.


5. A vistoria faz parte da avaliação?

A vistoria pode ser uma etapa essencial para conhecer as características efetivas do imóvel.

Durante a vistoria podem ser observados elementos que dificilmente aparecem apenas em uma pesquisa pela internet.

Entre eles:

  • estado de conservação;
  • acabamento;
  • reformas;
  • distribuição dos ambientes;
  • características construtivas;
  • áreas externas;
  • garagem;
  • padrão do imóvel;
  • condições aparentes.

A vistoria também permite produzir registros fotográficos e informações que ajudam a documentar o imóvel na data do trabalho.


6. Preciso contratar um avaliador se o imóvel já possui valor de IPTU?

Não se deve confundir automaticamente valor fiscal com valor de mercado.

O valor utilizado pelo município para fins tributários possui uma finalidade específica.

Já uma avaliação mercadológica busca responder outra pergunta:

Quanto esse imóvel representa no mercado considerando suas características e a finalidade da avaliação?

Por isso, quando o valor do imóvel possui impacto financeiro relevante, é importante verificar qual referência de valor é efetivamente necessária.


7. O que um profissional analisa durante a avaliação?

Uma avaliação imobiliária profissional considera um conjunto de características do imóvel e do mercado.

Dependendo do caso, podem ser analisados:

  1. Localização: bairro, vias de acesso, infraestrutura e características do entorno.
  2. Área: terreno, área construída e demais dimensões relevantes.
  3. Padrão construtivo: qualidade e características da construção.
  4. Conservação: condições aparentes e estado geral do imóvel.
  5. Características do imóvel: dormitórios, suítes, vagas, posição, pavimentos e outros atributos.
  6. Mercado: oferta, demanda e imóveis comparáveis.
  7. Documentação disponível: informações necessárias à caracterização do bem e da finalidade do trabalho.
  8. Metodologia: procedimento técnico adequado ao objeto da avaliação.

A Resolução COFECI nº 1.066/2007 referencia a utilização das normas ABNT NBR 14653-1, NBR 14653-2 e NBR 14653-3, relacionadas à avaliação de bens, imóveis urbanos e imóveis rurais.


8. Como escolher um avaliador de imóveis?

Antes de contratar, verifique a habilitação, experiência e adequação do profissional à finalidade do trabalho.

Uma boa verificação pode incluir:

  1. Confira a identificação profissional.
  2. Verifique o registro profissional aplicável.
  3. Consulte o CNAI quando pertinente.
  4. Pergunte qual metodologia será utilizada.
  5. Explique claramente a finalidade da avaliação.
  6. Solicite orçamento compatível com o escopo do trabalho.
  7. Informe se existe processo judicial e forneça os quesitos ou determinações relevantes, quando disponíveis.

O COFECI disponibiliza uma consulta pública de avaliadores imobiliários cadastrados no CNAI, permitindo pesquisar profissionais por nome, estado e cidade.


9. Quando o advogado deve procurar um avaliador?

O ideal é procurar o profissional antes que uma divergência sobre o valor do imóvel se transforme em um problema maior.

O suporte técnico pode ser útil quando o advogado precisa:

  • analisar o patrimônio envolvido;
  • preparar uma negociação;
  • avaliar uma proposta de acordo;
  • formular quesitos;
  • analisar uma avaliação apresentada;
  • acompanhar uma perícia;
  • discutir tecnicamente o valor atribuído ao imóvel.

O CPC permite às partes indicar assistente técnico e apresentar quesitos após a nomeação do perito, observados os prazos processuais aplicáveis.


10. Quanto custa contratar um perito avaliador?

Não existe um preço único para todos os trabalhos de avaliação imobiliária.

O valor dos honorários depende do escopo e da complexidade.

Podem influenciar o orçamento:

  • tipo do imóvel;
  • localização;
  • quantidade de imóveis;
  • necessidade de vistoria;
  • dificuldade de acesso às informações;
  • quantidade de dados a pesquisar;
  • finalidade;
  • prazo;
  • necessidade de acompanhamento técnico;
  • complexidade do caso.

No âmbito judicial, os honorários do perito seguem as regras processuais aplicáveis, incluindo proposta apresentada pelo profissional e arbitramento judicial quando cabível.

Por isso, desconfie de propostas genéricas que não consideram o tipo e a finalidade da avaliação.


11. Quais documentos devo separar?

Quanto melhor forem as informações fornecidas ao profissional, mais organizado tende a ser o trabalho.

Quando disponíveis, tenha em mãos:

  • matrícula do imóvel;
  • escritura;
  • IPTU;
  • plantas;
  • documentos relativos à construção;
  • informações de área;
  • documentos do processo;
  • quesitos;
  • decisões judiciais relacionadas à perícia;
  • avaliações anteriores;
  • informações sobre reformas.

Nem todos esses documentos serão necessários em todos os casos.

O profissional deverá informar quais são relevantes para o trabalho específico.


⚠️ 5 sinais de que você não deveria confiar em uma simples estimativa

Quanto maior o risco financeiro, menor deve ser a dependência de “achismos”.

Fique atento quando:

  1. Existem duas ou mais partes discordando do valor do imóvel.
  2. O imóvel representa uma parcela significativa do patrimônio envolvido.
  3. O imóvel será utilizado em inventário, divórcio ou partilha.
  4. Existe um processo judicial discutindo o patrimônio.
  5. O valor apresentado pode alterar significativamente o resultado financeiro da negociação ou disputa.

Nessas situações, uma avaliação profissional pode oferecer uma base técnica mais adequada para a tomada de decisão.


⚖️ Perito avaliador: quando o custo de não contratar pode ser maior

O verdadeiro custo não está apenas no honorário do profissional, mas no risco de tomar uma decisão patrimonial importante utilizando um valor incorreto.

Imagine um imóvel que realmente esteja na faixa de R$ 1 milhão.

Se uma negociação ou partilha for baseada em uma estimativa de R$ 800 mil, a diferença potencial chega a R$ 200 mil.

Naturalmente, esse exemplo não representa uma regra de mercado. Ele apenas demonstra por que pequenas diferenças percentuais podem representar valores expressivos quando o patrimônio é elevado.

É justamente por isso que a avaliação profissional deve ser vista como uma ferramenta de redução de risco, e não apenas como uma despesa.


🏠 Avaliação imobiliária para quem precisa tomar uma decisão importante

Se o valor de um imóvel pode mudar o resultado de uma negociação, partilha ou processo, vale a pena buscar uma análise técnica antes de tomar uma decisão.

José Antonio dos Passos atua com Avaliação de Imóveis e Vistoria de Imóveis, oferecendo suporte técnico para proprietários, advogados e imobiliárias.

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